Sentada num banco de jardim, olho, e observo o quanto felizes são aquelas crianças, a brincar, a correr de um lado para o outro, como se nada as preocupa-se, e a realidade é que nada os preocupa mesmo!
Olho então para a minha direita e vejo uma realidade completamente diferente, uma realidade que infelizmente permanece na vida de muita gente. Vejo então um casal a discutir em plena rua, a discutir por algo que não percebi bem o fundamento. Ela dizia que ele não trabalhava, mas no entanto estava ele com fato e gravata, uma pasta muito limpa e brilhante. Ele então respondia com, eu trabalho, mas o trabalho não vem ter comigo. Não percebi ao certo o porquê de estarem a discutir.
Por certos momentos fico a pensar se realmente vale a pena emigrar, a final de contas a realidade que invade o nosso país é talvez parte daquela que invade os países da União Europeia, mas claro de uma maneira mais “suave”. As pessoas é que são estúpidas de mais ao pensarem que lá fora ganham mais, não isso é mentira, poderiam até ganhar o mesmo no seu país de origem, mas não, porquê? Porque simplesmente os imigrantes que vêm para o nosso país tiram trabalho a muitos Portugueses. Pode ser um trabalho insignificante, mas lá está, é um trabalho! Ganha-se dinheiro, trabalha-se com horário fixo.
De certo pensava eu que o meu lado esquerdo seria muito mais agradável, mas não! Assim que me defrontei com um pobre mendigo, sentado a porta de uma banco, à espera que por cada pessoa que passa-se por aquela porta lhe desse, por mais insignificante que fosse uma simples moeda. Seria então a felicidade desse pobre mendigo, uma moeda, de certo lhe dava para comprar um simples pedaço de comida.
Mas não, ninguém tinha a decência de parar à sua beira e lhe dar uma moeda, ou mesmo perguntar o que ele queria, de alguma forma o ajudaria. Ninguém, ninguém mesmo se limitou a parar olhar e dar uma simples moeda. Ao contrário disso preferiam olhar com ar de desprezo, como quem diz “Levanta daí o rabo e vai procurar emprego”. Mas as coisas não são assim tão fáceis, se esse mendigo está ali sentado, com roupas todas rasgadas e imundas, tão magro que quase desaparecia dentro daquelas roupas largas, que talvez usadas justas ao seu corpo antes de se entregar à rua, é porque não teve outra alternativa.
Mas é esta mesma a nossa realidade, nós é que estamos tão presos a ela que nem damos conta que à pessoas que por tão modéstias que sejam, anseiam pelo momento em que possam ter uma vida normal, igual à de todas as outras pessoas.
Por mais que nos custe, somos todos uns seres humanos sem escrúpulos!



